A cultura orgânica

Outra relação com o que se come, com as relações entre as pessoas, com a natureza, com a própria vida.

Não é fácil fazer mudanças substanciais na vida. Às vezes leva anos para decidir dar uma guinada. Assim foi conosco ao mudar da prática da agricultura convencional para a orgânica. Imagino que, para os consumidores, também seja assim. O primeiro obstáculo a ser vencido é estar disposto a pagar um preço mais caro. Há pessoas que dizem: “quando o preço dos produtos orgânicos for igual ao convencional vou preferir os orgânicos”. Será muito difícil chegar este dia. Recentemente chegaram dois posts interessantes para mim, originalmente em inglês: “Talvez devêssemos parar de perguntar por que comida de verdade é tão caro e começar a perguntar por que alimentos processados são tão baratos.” Processados e/ou convencionais, diria eu. Fazer-se essa pergunta é a porta de entrada para entrar na cultura orgânica. Dias atrás veio alguém aqui em casa que tinha acabado de visitar uma granja de frangos. Estes, em apenas 32 dias(!), estavam prontos para o abate. Se ficam comendo ração um dia a mais dá prejuízo ao produtor. As portas da granja estavam abertas, mas nenhum frango saía . O empregado explicou: os frangos não conseguem andar, suas pernas não aguentam o peso. Cada manhã, o 1º trabalho do dia era recolher um bom número de frangos mortos que, no espaço apertado, sucumbiram sob seu próprio peso ou por doença. Os frangos convencionais são baratos, mas a que custo quanto ao bem-estar do animal? No segundo post, aparece um médico cirurgião, vestido como tal, com os dizeres: “Sim, alimento orgânico é caro. Porém, recentemente ouvi dizer que câncer também é razoavelmente caro.” Sim, ser orgânico é valorizar a vida. É voltar a pensar na beleza da natureza com sua biodiversidade original, na terra que serve de colo para as minúsculas sementes, no valor da pureza da água, no crescimento silencioso das plantas, nas pessoas que cultivam e cuidam dos alimentos que irei comer e na justa remuneração desse trabalho. É pensar na refeição, nos alimentos que vão fazer parte do meu ser, nas pessoas ao redor da mesa, nos assuntos a abordar que alimentam a fome do espírito e fazem bem ao coração. É lembrar que podemos escolher o que quero alimentar em mim e no mundo. Joop, ao mudar para o orgânico, disse que queria estar ao lado da vida e não da morte. Com esta última palavra ele se referia a os agrotóxicos, químicos, aditivos e atitudes nocivos à saúde e à preservação da natureza. Quis e quer estar ao lado da vida, custe o que custar!

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